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Muito tempo antes do surgimento do novo coronavírus, a pneumonia já era uma preocupação mundial de saúde pública. Atingindo principalmente os extremos de idade (abaixo de 5 anos e acima de 70 anos), é uma doença que tem atenção especial dos órgãos de saúde do mundo todo.

Apesar da queda na taxa de mortalidade por pneumonia, observada nos últimos anos, muito ainda tem de ser feito. A infecção respiratória aguda causada por esta doença, apesar de estar mais relacionada aos idosos, é responsável pela morte de mais crianças do que qualquer outra doença infecciosa, somando mais de 800 mil crianças menores de cinco anos.

A pneumonia é uma doença inflamatória aguda de causa infecciosa que se instala em um ou ambos os pulmões. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o frio não causa a pneumonia. O que ocorre, na verdade, é que em temperaturas mais baixas a movimentação do nosso aparelho mucociliar (cílios e muco) fica lentificado, aumentando a chance de uma possível infecção. Além disso, no frio há uma tendência em ficar em locais fechados, o que facilita a transmissão de um agente infeccioso presente no ambiente ou expelido por uma outra pessoa no mesmo local.

A transmissão ocorre pela via aérea, por meio de gotículas que expelimos durante a fala, tosse e o espirro. Há também a transmissão indireta, por meio de objetos contaminados com as gotículas contaminadas com o agente infeccioso. Apesar de a pneumonia bacteriana ser muito mais comum que a viral, a bacteriana é menos comum de se transmitir pelas pessoas contaminadas., bactérias, fungos, reações alérgicas e químicas), responsável por atrapalhar o funcionamento pulmonar.

O quadro típico de uma pneumonia é caracterizado por sintomas como febre alta de início súbito, muitas vezes com calafrios, dor torácica em pontada e bem localizada, que confere dor ao respirar, tosse com expectoração semelhante ao pus, falta de ar e piora no estado geral.

Basicamente, a suspeita inicial é de um quadro gripal que se intensifica e que evolui com piora do estado geral e falta de ar. Mas cuidado, pois nem sempre os sintomas são os mesmos e ainda existem as chamadas pneumonias atípicas, que podem te confundir. Por isso, sempre procure ajuda médica quando tiver alguns dos sintomas citados.

Entre os principais fatores de risco para pneumonia, estão: o tabagismo, o alcoolismo (o álcool interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório), o uso de ar condicionado (deixa o ar seco, facilitando a infecção) e as mudanças bruscas de temperatura.

Além dos fatores de risco, quando falamos de pneumonia também devemos nos lembrar dos principais grupos que apresentam uma exposição de risco, como os pacientes em instituições superlotadas (ex.: presídios), moradores de casas de repouso/asilo, tabagistas e portadores de doença pulmonar estrutural (fibrose cística, bronquiectasia), broncoaspiração, exposição a sistema de ar-condicionado e infecção secundária aos vírus influenza.

Para o entendimento do diagnóstico e das condutas terapêuticas, é importante ter em mente de que a pneumonia é uma doença muito bem conhecida pelos médicos, e que boa parte das condutas iniciais são tomadas dentro de um protocolo clínico muito bem consolidado. Portanto, nem sempre a realização de exames complementares (imagem ou laboratoriais) estão indicadas. Muitas vezes o diagnóstico é clínico, apenas por meio de uma anamnese (espécie de entrevista feita pelo médico) e um exame físico. Um bom detalhamento do exame clínico pode ser capaz de fornecer dados suficientes para iniciar uma terapia adequada.

No entanto, vale lembrar que se o paciente estiver com sintomas mais graves ou que apresente dados insuficientes ao diagnóstico, o médico responsável poderá solicitar exames complementares ou até mesmo solicitar um encaminhamento à internação hospitalar.