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Apenas de janeiro a setembro de 2021, o Ministério da Saúde aponta que foram realizadas 12.639 cirurgias de amputações de membros inferiores — como dedos, pés e pernas — decorrentes de diabetes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Isso equivale à média de 46 procedimentos por dia. O número também é maior do que o registrado no mesmo período de 2020, quando foram feitas 12.132 amputações pelo mesmo motivo.

A estatística mostra uma das faces aterrorizantes do diabetes: o pé diabético, ou neuropatia diabética.

O que é pé diabético?

Trata-se de uma série de sintomas que, juntos, definem o que é este mal. Inclua aqui o peito do pé inchado, calos, feridas, dedos avermelhados e perda de sensibilidade.

Essa condição faz com que muitas pessoas com diabetes batam ponto em podólogos para lidar com tantas questões. No entanto, quando as lesões não fecham — seja por falta de cuidados ou porque o corpo não responde a eles —, pode ser necessária a amputação do membro.

Quais são as causas do pé diabético?

A principal causa do pé diabético é a má circulação que costuma acontecer quando a doença está fora de controle. Nestes casos, o açúcar fica passeando pela corrente sanguínea, causando um efeito de “caramelização” do sangue em um processo chamado de glicação.

Aqui, em vez de transportar oxigênio, a hemoglobina acaba se associando ao açúcar que está excedente na corrente sanguínea. Esse combo nada desejável resulta em veias se estreitando e endurecendo, ficando ainda mais difícil do sangue também comprometido passar.

Com a circulação comprometida, os nervos responsáveis pela sensação de dor e tato acabam afetados. Isso, por sua vez, pode causar perda de sensibilidade — e a pessoa, sem sentir, acaba se machucando.

Para completar, o processo de glicação dificulta a cura das feridas que surgem, já que o oxigênio não chega direito ao local. Todos esses sinais, juntos, podem acabar levando à amputação.

Alguns sintomas do pé diabético são, de acordo com o Ministério da Saúde:

perda de sensibilidade no local;

formigamento;

dores;

sensação de agulhadas;

queimação nos pés e nas pernas;

dormência;

fraqueza nas pernas.

As feridas e infecções só aparecem em estágio mais avançado, quando o tratamento já fica mais complicado pela dificuldade do corpo de enviar oxigênio à região, o que é essencial para a cura.

Para evitar danos, a Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé) indica:

Sempre usar meias, de preferência de algodão (que irritam menos a pele), com costura pouco volumosa e sem elástico (para não comprometer a circulação). Prefira as brancas, que facilitam a identificação de secreções;

Cheque os calçados antes de vesti-los, para ter certeza de que não há nenhum objeto dentro que possa machucar os pés;

Procure manter os pés hidratados para evitar rachaduras na pele e infecções secundárias; não tente retirar calos, limpar úlceras ou cortar as unhas sozinho;

Examine os pés pelo menos uma vez ao dia. Na checagem, procure calos, úlceras, micoses e rachaduras. Se a visão não estiver ajudando, peça para alguém verificar por você.

Estas, no entanto, não são curas — são medidas para conter danos caso o diabetes esteja fora de controle.

Esta é a saída definitiva para evitar o pé diabético e as amputações

Diante da gravidade do quadro, a melhor saída para evitar a amputação é controlar o diabetes e procurar um médico ao menor sinal de pé diabético.

Sim, é possível controlar o diabetes. Mais do que isso: é possível se livrar dessa doença e de tantas complicações.