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Ao longo dos anos, tanto no cenário internacional quanto no Brasil, observamos uma evolução favorável no que se refere aos cuidados da saúde da mulher. Não obstante a esse progresso, a população feminina continua sofrendo com o câncer de mama, que se tornou, além de um problema social e econômico, um problema de saúde pública. É o câncer mais frequente da mulher e o número de casos cresce a cada ano.

Sabe-se que a detecção dos tumores mamários na fase inicial do seu desenvolvimento é considerada o fator mais importante para o sucesso do tratamento e para se alcançar a cura. A busca pelo câncer de mama precoce na população é baseada na realização periódica da mamografia em mulheres sem sintomas (Rastreamento). O câncer de mama apresenta uma fase, em que não pode ser detectado pelo exame físico das mamas, mas, a mamografia é capaz de detectá-lo.

Atribui-se à disseminação do rastreamento mamográfico associado aos avanços no tratamento, a redução do número de mortes pelo câncer de mama observada em alguns países. O primeiro estudo na população, que investigou o impacto do uso anual da mamografia na mortalidade pelo câncer de mama foi realizado na década de 1960 nos Estados Unidos e é conhecido como Health Improvement Plan ( HIP ). Este estudo mostrou redução de quase um terço no número de mortes pelo câncer de mama no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento mamográfico e orientou a realização de outros estudos similares no Canadá, Reino Unido e Suécia.

A sensibilidade da mamografia em detectar tumores varia de 64% a 78% nos programas de rastreamento de vários países. A detecção mamográfica de pequenos tumores possibilita, ainda, um maior número de opções de tratamento, aumenta as chances de cirurgias não mutiladoras e reduz a necessidade da quimioterapia. Mas será que as mulheres entendem a importância da mamografia? Uma recente e inédita pesquisa encomendada pela federação Brasileira das Entidades Filantrópicas de apoio à Saúde das Mamas ( FEMAMA) junto ao Instituto Datafolha avaliou o conhecimento das mulheres brasileiras sobre o câncer de mama, em quatro grandes capitais. Os resultados foram surpreendentes: somente 35% das brasileiras citaram a mamografia como a melhor forma de detecção precoce do câncer de mama, apesar da grande maioria reconhecer que o diagnóstico precoce dos tumores mamários aumenta a possibilidade de cura de 49% para 75 %. A Sociedade Brasileira de Mastologia e as principais sociedades médicas Norte-Americanas recomendam o rastreamento mamográfico a partir dos 40 anos. Por outro lado, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam iniciar o rastreamento mamográfico somente aos 50 anos. Sendo assim, caberá à paciente discutir com seu mastologista com qual idade iniciará seu rastreamento e também com qual periodicidade deverá fazê-lo . O médico avaliará outros fatores tais como a densidade mamária, o risco individual de cada paciente e o benefício de outros exames, que associados à mamografia possam garantir a prevenção tão desejada.

Com informações: Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer