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Os hábitos de vida entre as crianças e adolescentes no Brasil têm apresentado, cada vez mais, resultados negativos à saúde desses jovens. Segundo dados divulgados em março pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o percentual de crianças entre 5 e 9 anos com excesso de peso chega a 33,5%. Já na adolescência, o quantitativo é de 20,5%.

As altas taxas de sobrepeso se devem a uma alimentação baseada em produtos ultraprocessados, com alta quantidade de açúcar, sal e gorduras saturadas, responsáveis no mundo todo pela epidemia de obesidade. Além disso, outro fator que contribuiu para o desenvolvimento da obesidade é o tempo gasto com tablets, celulares, computadores e videogames, principal responsável pelo sedentarismo, condição que pode agravar esse quadro.

Entre as ações que podem reverter esses dados e contribuir para uma melhor nutrição, destacamos a nova versão do Guia Alimentar para a População Brasileira, A publicação foi divulgada em novembro de 2014 pelo Ministério da Saúde. O Guia traz dez passos da alimentação saudável, que abordam desde a refeição familiar ao consumo de alimentos tradicionais, como o feijão com arroz. A finalidade do Guia, de acordo com o Ministério da Saúde, é promover a saúde e a boa alimentação, combatendo a desnutrição e prevenindo não somente a obesidade, como também o diabetes e outras doenças crônicas, como AVC (Acidente Vascular CerebraL), infarto e câncer.

Sem impacto no bolso
Ter uma alimentação saudável não é sinônimo de maiores gastos na compra de alimentos. É ilusão achar que o alimento adequado é mais caro. Feijão com arroz, tomate, laranja e banana – tão tradicionais na mesa do brasileiro –, se consumi¬dos, saem, no final, mais barato que biscoitos e refrigerantes e proporcionam maior saciedade. Além disso, alimentos muito açucarados provocam a vontade de comer mais e mais. Um biscoito sempre parece pouco e, sem perceber, come-se o pacote todo ou bebe-se mais de dois copos de refrigerantes.

Uma boa refeição não precisa necessariamente conter alimentos orgânicos, ou seja, livres de agrotóxicos. A questão central não é o consumo de orgânicos, mas sim de alimentos minimamente processados que não levem ao excesso de sal, açúcar, gorduras e aditivo. Segundo dados os alimentos classificados como “besteiras” (balas, biscoitos e refrigerantes), embora sejam considerados baratos, foram responsáveis por 32,4% do gasto total com a alimentação da criança, enquanto as proteínas (leite, carne, frango e peixe) corresponderam a apenas 20% do gasto.