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O índice de cesarianas no Brasil é um dos mais altos no mundo: 43%, segundo dados de 2008 do Ministério da Saúde, o triplo do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre os fatores que elevam a taxa às alturas, os especialistas apontam, sobretudo, o medo que muitas gestantes têm de sentir dor e a comodidade de pais e obstetras de escolherem uma data para se planejar.

A cesariana, de fato, salva muitas vidas, pois nem todo nascimento seria bem-sucedido de maneira natural, por limitações de saúde ou físicas da mãe, do bebê ou de ambos. Portanto, não se pode simplesmente taxá-la como má escolha, em defesa do parto normal.

O melhor parto é aquele que preza pela segurança da mãe e do bebê e garante um final feliz para todos, independentemente de ser normal ou cesáreo.

Entretanto, é importante alertar para o fato de que a escolha pela cesariana eletiva, aquela com hora marcada, em geral atende aos interesses dos adultos, preocupados com as questões práticas da vida contemporânea. É raro pensarem no bebê, em como será recebido.

O foco de pais e equipe médica, portanto, deve estar primordialmente na recepção ao pequeno. É preciso dar-lhe boas-vindas de uma forma suave, para que ele se sinta acolhido assim que colocar os pezinhos no mundo.
O caminho para o sucesso desse momento tão especial está na chamada humanização do parto, que leva em conta aspectos biológicos, psicológicos e técnicos. Por isso, ao longo do pré-natal a gestante deve manter um diálogo franco com o obstetra, compartilhando dúvidas, receios, os prós e os contras das duas modalidades de dar à luz.

Parto normal
Embora seja o desfecho natural da gravidez, é temido por muitas gestantes por conta da dor. Mas esse receio não faz mais sentido. Hoje é possível dar à luz sem o sofrimento de décadas atrás, com a ajuda de analgésicos.

E tem outras vantagens:
• O bebê, ao passar pelo canal do parto, sofre compressão do tórax, o que elimina boa parte do líquido amniótico que traz nos pulmões, favorecendo a respiração.
• Possibilita o aleitamento precoce, logo depois de o bebê nascer, para aumentar sua imunidade.
• A recuperação é mais rápida e praticamente sem dor.

Parto cesáreo
Surgiu para salvar a vida da mãe e do bebê quando o parto normal não evoluía bem. Com o tempo, as técnicas se aprimoraram e hoje é um procedimento seguro, mas com indicações específicas, como descolamento prematuro da placenta e sofrimento fetal. No entanto, vantagens como a comodidade de escolher dia e hora do nascimento do bebê sobressaíram. Hoje vemos muitas mães plenamente capazes de dar à luz por parto normal que acabam optando pela cesárea, por motivos pessoais.

Alguns pontos que devem ser levados em consideração, nesse caso:
• Risco maior de infecção e problemas com a anestesia, assim como em todo procedimento cirúrgico.
• Bebê não recebe informações psicofísicas de que está para nascer, como as contrações durante o trabalho de parto. Pode ser uma experiência traumática.
• A recuperação da mulher é mais lenta, pois o corte no abdome exige descanso para a cicatrização, além de causar dores.

Com informações: Hospital Albert Einstein