Dois casos recentes noticiados pela mídia trouxeram à tona o risco do uso sem orientação médica do hidrogel, substância utilizada para o preenchimento e aumento do volume em algumas regiões do corpo. No mês passado (novembro de 2014) em Goiânia, Maria José Brandão, de 39 anos, teve complicações após aplicar o produto nos glúteos e morreu. Um mês depois, a modelo Andressa Urach, de 27, foi internada em Porto Alegre com uma infecção nas coxas devido ao uso da substância.
O hidrogel, é um composto de soro fisiológico (98%) e poliamina (2%), que é uma molécula sintética. Normalmente ele é absorvido em cinco ou seis anos, mas na maioria das vezes esse produto nunca é eliminado pelo organismo. A dificuldade para eliminá-lo pode gerar uma reação inflamatória crônica. Além disso, a aplicação do produto (injeção intravascular) também oferece riscos. Se não for aplicado corretamente o hidrogel pode necrosar a pele e infeccionar o tecido onde foi injetado.
Produto irregular?
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não recomenda o uso desse tipo de preenchedor de longa duração. No Brasil, o Aqualifit, nome comercial do hidrogel, está com a licença vencida na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 31 de maio de 2014.
Nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano que faz o controle e liberação de alimentos e medicamentos, não aprova o uso da substância pela falta de evidências clínicas que confirmem sua segurança.
Opção para o hidrogel
No mercado há outros procedimentos capazes de oferecer os mesmos resultados estéticos obtidos com o hidrogel: Um deles é o enxerto de gordura do próprio paciente após a lipoaspiração. E outra conduta é a utilização de prótese de silicone (específica para glúteos, por exemplo).
Porém, caso o paciente opte pelo hidrogel, é necessário buscar um profissional que tenha experiência com o produto e que seja, preferencialmente, um cirurgião plástico ou dermatologista. A legislação brasileira dispõe que qualquer médico pode realizar esse procedimento, no entanto, preenchimentos devem ser realizados por profissionais capacitados e treinados.