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Nos últimos anos, várias organizações pediátricas nacionais e internacionais, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a American Academy of Pediatrics (AAP) — revisaram suas recomendações sobre o consumo de suco de fruta por crianças pequenas. Essas orientações refletem uma preocupação crescente com a saúde infantil, especialmente em relação a peso, hábitos alimentares e saúde bucal. 

Ao contrário das frutas inteiras, o suco concentra principalmente os açúcares naturais sem a mesma quantidade de fibra, que é essencial para a digestão e para dar sensação de saciedade. Isso significa que as crianças podem se encher de líquidos açucarados e, ao mesmo tempo, ingerir menos alimentos nutritivos. 

Além disso, o suco oferece calorias “vazias” (energia sem os nutrientes completos) e pode contribuir para o ganho de peso excessivo e até para obesidade na infância quando oferecido com frequência. 

O açúcar natural do suco pode ficar em contato com os dentes por mais tempo, especialmente quando oferecido em mamadeiras ou copos de transição, aumentando o risco de cáries dentárias em bebês e crianças pequenas. 

Além disso, quando crianças pequenas tomam suco com frequência, elas podem desenvolver uma preferência por sabores doces, o que mais tarde dificulta a aceitação de água e alimentos menos doces como legumes e vegetais. 

Especialistas lembram que nos primeiros anos de vida é crucial desenvolver hábitos alimentares saudáveis. Beber água e consumir frutas inteiras ajuda esse desenvolvimento de forma mais adequada do que o suco, que pode ser introduzido apenas em quantidades limitadas e no contexto de refeições. 

Embora as recomendações variem um pouco entre países e sociedades, há um consenso geral entre pediatras:
• Até 1 ano: suco não é recomendado, o ideal é que a criança receba exclusivamente leite materno ou fórmula neste período. 
• 1 a 2 anos: caso seja oferecido, o suco deve ser limitado a pequenas quantidades (por exemplo, cerca de 100 mL/dia) e sempre após as refeições principais. 
• A partir de 2 anos: pode começar o consumo mais regular de suco, mas sempre com moderação, preferindo suco natural sem adição de açúcar e como complemento , não como substituto de água ou alimentos nutritivos. 

As mudanças nas orientações não significam que o suco é “perigoso” em pequenas quantidades. O que os pediatras enfatizam é que antes dos 2 anos o consumo frequente pode trazer mais malefícios do que benefícios, como impacto na saúde bucal, risco aumentado de ganho de peso inadequado e substituição de refeições mais nutritivas. 

O foco moderno das sociedades pediátricas é promover hábitos alimentares que incentivem o crescimento saudável e a formação de padrões nutritivos para toda a vida, priorizando água, frutas inteiras e alimentos variados.