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O número de casos de meningite no Brasil tem chamado a atenção das autoridades de saúde. Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, já foram confirmados quase dois mil casos da doença apenas nos primeiros meses de 2025, com casos de óbitos registrados em várias regiões do país. Apesar de conhecida e prevenível, a meningite continua sendo uma das infecções mais graves, exigindo alerta e conscientização constante da população sobre os sintomas e, principalmente, sobre a importância da vacinação.

A meningite é uma inflamação das meninges — as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou outros microrganismos. A forma viral costuma ser mais leve e de recuperação espontânea, mas a meningite bacteriana é considerada uma emergência médica, pois pode evoluir rapidamente e causar sequelas graves ou até a morte.

Entre os tipos mais perigosos está a meningite meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Ela pode gerar quadros graves e de evolução rápida, especialmente em crianças pequenas e adolescentes. Quando uma bactéria atinge a corrente sanguínea, pode causar meningococcemia — uma forma ainda mais grave da doença.

Os sintomas da meningite podem surgir de forma súbita e se agravar rapidamente. Os sinais mais comuns são febre alta, dor de cabeça intensa, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Também podem ocorrer confusão mental e convulsões.

Em bebês e crianças pequenas, os sintomas podem se apresentar de forma mais discreta, como irritabilidade, choro constante, recusa para se alimentar e moleira (fontanela) elevada ou tensa. Em casos graves, podem surgir manchas vermelhas ou arroxeadas na pele, ocorrendo uma ocorrência generalizada.

Ao perceber esses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico imediato. O diagnóstico e o tratamento precoce aumentam significativamente as chances de recuperação sem complicações.

A vacinação é a principal forma de prevenir a meningite, especialmente do tipo bacteriano. No Brasil, diversas vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) protegem contra diferentes agentes causadores da doença.

A vacina Meningocócica C conjugada (MenC) é aplicada em bebês aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses. Recentemente, o Ministério da Saúde também passou a disponibilizar a vacina Meningocócica ACWY, que protege contra quatro sorogrupos (A, C, W e Y) da bactéria Neisseria meningitidis. Essa dose é aplicada em crianças de 12 meses e em adolescentes de 11 a 14 anos, como reforço.

Além disso, a vacina Haemophilus influenzae tipo b (Hib), que faz parte da vacina pentavalente infantil, e a vacina pneumocócica conjugada também ajudam a prevenir casos de meningite causada por outras bactérias.

Na rede particular, há ainda a disponibilidade da vacina Meningocócica B (MenB), que não faz parte do calendário público, mas é recomendada pelas sociedades médicas, especialmente para bebês e crianças pequenas.

Embora o foco principal seja a imunização infantil, é importante lembrar que a proteção contra a meningite deve acompanhar todas as fases da vida.

• As crianças devem seguir o calendário básico com as vacinas MenC, ACWY, Hib e pneumocócica.
• Os adolescentes precisam receber o reforço da ACWY, geralmente entre 11 e 14 anos.
• Adultos e grupos de risco — como profissionais de saúde, militares, pessoas com imunodeficiências ou doenças crônicas — também podem ser orientados para receber reforços, especialmente em caso de surtos locais ou viagens para regiões de risco.

O SUS disponibiliza gratuitamente as vacinas Meningocócica C e ACWY, além das vacinas Hib e pneumocócica, que fazem parte do calendário nacional de imunização.

Já na rede privada, as vacinas MenB e ACWY podem ser aplicadas em idades mais amplas, de acordo com a orientação médica e os protocolos de vacinação atualizados.

Manter uma caderneta de vacinação atualizada é essencial. Muitas vezes, pais e responsáveis ​​não sabem que adolescentes e adultos também precisam de doses de reforço, o que contribui para a queda da cobertura vacinal e o aumento dos casos da doença.

O aumento dos casos de meningite tem relação direta com a queda da cobertura vacinal observada nos últimos anos. A pandemia de Covid-19, o medo de reações adversárias e a desinformação desenvolvida para que muitas pessoas deixem de vacinar seus filhos — e até a si mesmos.

As autoridades reforçam que todas as vacinas disponíveis no Brasil são seguras, passam por rigorosos controles de qualidade e têm eficácia comprovada.

A meningite é uma doença grave, mas que pode ser evitada. As vacinas são a melhor forma de proteção e estão ao alcance de todos.
Mantenha o cartão de vacinação em dia, esteja atento aos sintomas e procure atendimento rápido em caso de suspeita são atitudes que salvam vidas.
Mais do que um ato individual, a vacinação é um compromisso coletivo com a saúde e o bem-estar de toda a comunidade.