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Toda gestação é única, mas descobrir uma gravidez de gêmeos pode ser uma grande surpresa para os pais. Além disso, esse tipo de gestação também requer atenção e acompanhamento especial, pois tem características particulares. Por isso, são necessárias consultas mais frequentes, acompanhamento multiprofissional e uma boa maternidade.

Toda gestação de gêmeos deve ser considerada uma gravidez de risco, devido ao potencial elevado de complicações que elas apresentam.

Cerca de 8 em cada 10 gestações gemelares apresentarão algum grau de complicação até o parto. Isso decorre pelo corpo da mulher idealmente ter capacidade para o desenvolvimento de um bebê e na presença de dois ou mais, essa sobrecarga poderá gerar dificuldades.

A seguir, esclarecemos dúvidas frequentes sobre este assunto:

1. É comum os gêmeos nascerem antes de 40 semanas de gravidez?

Metade dos gêmeos nasce antes de 37 semanas. A idade gestacional média de nascimento deles é de 36 semanas e, quanto mais cedo eles vem ao mundo, maior é a chance de precisarem de uma UTI neonatal. No entanto, isso não é uma regra. Com um bom acompanhamento e cuidados adequados, sempre tentamos levar estas gestações o mais próximo possível de 40 semanas, minimizando os riscos e aumentando as chances desses bebês ficarem no quarto com as mães e de ir para casa de alta com elas.

2. Quais são os problemas mais comuns na gestação de gêmeos?

A principal complicação nas gestações gemelares é o parto prematuro, muito a frente de todas as outras. Além dela, podemos observar bebês com crescimento abaixo da média e alterações morfológicas, por exemplo. Temos ainda complicações fetais específicas e mais raras de acordo com o número de placentas e de bolsas, como a síndrome de transfusão feto fetal, na qual existe o fluxo preferencial de sangue de um dos bebês para o outro.

Além das possíveis complicações para os bebês, ainda temos os riscos maternos. Dentre as principais, observamos uma incidência maior de anemia, hipertensão, diabetes gestacional, depressão e problemas decorrentes do parto.

3. É possível ter parto normal?

Sim, é muito possível. Para isto acontecer, depende basicamente de três fatores: a vontade do casal, encontrar um obstetra que tenha experiência nesse tipo de parto e que o primeiro bebê no dia do parto esteja virado para baixo.

4. Sintomas da gestação, como mal-estar e enjoo, são mais acentuados?

Pode ser que sim. Devido especialmente aos níveis hormonais mais elevados, as grávidas de gêmeos podem apresentar mais sintomas iniciais, especialmente os enjoos e vômitos.

5. O número de exames durante a gestação também é maior? Por quê?

Sim. Em relação aos exames laboratoriais, pouca coisa a mais deve ser feita. Geralmente, um hemograma por trimestre para avaliar uma possível anemia, que é mais frequente nas gestações gemelares, e um exame de urina trimestral em busca de infecção urinária costumam ser suficientes.

A maior diferença ocorre quanto à frequência das ultrassonografias. Fazemos ultrassons quinzenais, nos casos em que os bebês compartilham a placenta, para diagnosticar precocemente o fluxo preferencial de sangue para um dos bebês. Naquelas que tem uma placenta para cada bebê, a frequência costuma ser mensal, com o objetivo de identificar problemas no crescimento dos bebês, avaliar o colo do útero no intuito de identificar mulheres com maior risco de parto prematuro e manter o controle de vitalidade dos bebês.