A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma afecção crônica na qual o alimento ou líquido do estômago vaza para o esôfago, e pode causar irritação do órgão, azia e outros sintomas.
O refluxo gastroesofágico decorre de uma diminuição na pressão de fechamento do esfíncter esofagiano inferior (EEI), músculo localizado no fim do esôfago que normalmente se abre para a passagem da comida e depois se fecha para evitar o retorno dos alimentos ou do suco gástrico. Quando esse mecanismo apresenta algum problema de funcionamento, devido a sua contração inadequada, pode levar à esofagite, que é a inflamação da mucosa esofágica pelo retorno dos alimentos ao esôfago.
A causa da DRGE é multifatorial, composta por aspectos fisiológicos e comportamentais, sendo os principais fatores de risco: excesso de peso, alimentação inadequada, tabagismo, consumo frequente de álcool, estresse e presença da hérnia de hiato.
As principais manifestações clínicas típicas da doença são: pirose (sensação de queimação que irradia para o pescoço e pode atingir a garganta) e regurgitação ácida (o retorno de conteúdo ácido ou alimentos para a cavidade oral).
De acordo com o Consenso Brasileiro de DRGE, reconheceu-se que outras manifestações clínicas podem ser decorrentes do refluxo gastroesofágico (RGE). São considerados possíveis portadores da DRGE os pacientes que apresentarem os sintomas abaixo com frequência mínima de duas vezes por semana, durante quatro e oito semanas.
O diagnóstico da doença do refluxo gastroesofágico é realizado por meio do relato dos sintomas para avaliar a gravidade da doença e encontrar o melhor tratamento. O médico pode pedir exames como a endoscopia digestiva alta (EDA), sendo que sua sensibilidade é em torno de 50% e alguns exames complementares como os testes de pHmetria e a impedanciometria.
O tratamento da DRGE vai depender do resultado dos exames. Em todo caso, seguir uma alimentação balanceada, evitar o cigarro, combater a obesidade, elevar a cabeceira da cama em 15 cm, evitar refeições volumosas e deitar nas duas horas posteriores às refeições são essenciais para a eliminação dos sintomas. O excesso de peso e a obesidade levam ao aumento da pressão intra-abdominal e intragástrica, favorecendo a ocorrência de um quadro de refluxo gastroesofágico. Sendo assim, indivíduos que os apresentem devem também seguir um plano alimentar voltado à perda de peso.
Vale ressaltar que devem ser evitados alimentos gordurosos, cítricos, café, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, menta e hortelã. Não existe na literatura indicação de alimentos que previnam ou tratem a DRGE. É recomendado um plano alimentar individualizado e saudável, com o controle da ingestão ou restrição dos alimentos contra indicados e voltados à perda de peso, quando necessário.
Com informações: Hospital Albert Einstein