O uso de repelentes em crianças é uma preocupação comum entre pais e responsáveis, especialmente durante o verão ou em locais de risco de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya. A exposição a insetos não apenas causa desconforto, mas pode representar sérios riscos à saúde. Por isso, surge a dúvida: até que ponto os repelentes são seguros para o uso em crianças?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que o uso de repelentes em crianças deve ser feito com cautela e sempre levando em consideração a faixa etária. Para bebês com menos de 6 meses, a orientação é evitar o uso de repelentes químicos, enquanto para crianças a partir dessa idade, os produtos contendo substâncias como DEET (N,N-dietil-meta-toluamida) e Icaridina podem ser usados, desde que em concentrações adequadas e com a recomendação de um pediatra. A SBP esclarece que o DEET, em concentrações de até 30%, é seguro para crianças a partir dos 6 meses de idade, enquanto os repelentes à base de Icaridina, mais recomendados para essa faixa etária, têm uma margem de segurança ainda mais ampla.

A escolha do repelente é um fator crucial para garantir a segurança das crianças. O produto ideal deve ser indicado para a faixa etária da criança e sempre registrado na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Além disso, é importante verificar a concentração de substâncias ativas, como o DEET ou a Icaridina, que devem ser usadas de maneira controlada. Repelentes naturais, como os à base de citronela, também estão disponíveis, mas a eficácia pode ser menor, especialmente em áreas de risco mais elevado.

A aplicação do repelente deve ser feita de maneira cuidadosa, evitando áreas sensíveis como os olhos, boca e mucosas. A recomendação é aplicar o produto nas mãos do responsável e, em seguida, espalhá-lo suavemente pela pele da criança. Após o uso, as mãos devem ser lavadas imediatamente para evitar o contato do repelente com a face ou ingestão acidental. Além disso, nunca é aconselhável aplicar o repelente em áreas cobertas por roupas ou sob fraldas, uma vez que a eficácia do produto pode ser comprometida.

É importante também tomar cuidado com a reaplicação do produto. A maioria dos repelentes tem uma durabilidade de 4 a 6 horas. Caso a criança entre em contato com a água ou transpire excessivamente, o repelente pode perder a eficácia, sendo necessário reaplicar. A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para o uso responsável, evitando o uso excessivo do produto, o que pode resultar em irritações na pele ou efeitos adversos.

Por fim, a prevenção deve ir além do uso de repelentes. É sempre recomendável que as crianças usem roupas adequadas, preferencialmente de manga longa e calças, para reduzir a exposição aos mosquitos. Além disso, a eliminação de focos de mosquitos no ambiente, como recipientes com água parada, também é essencial para garantir a proteção da saúde infantil contra doenças transmitidas por insetos. A combinação de estratégias, como repelentes, roupas adequadas e a eliminação de focos, pode ser eficaz para garantir a proteção das crianças.