O aumento significativo de casos de dengue no início deste ano pode ser atribuído ao calor intenso e prolongado, mudanças na circulação do vírus e à falta de conscientização da população e ações governamentais.
No primeiro semestre de 2023, registramos altos índices da doença, mas em 2024, os números dispararam. O número de casos de dengue nas mesmas 17 semanas de 2024 ultrapassou os 4 milhões, comparado a 989.924 casos no mesmo período do ano anterior. As mortes também aumentaram, passando de 1.094 em 2023 para 2.073 neste ano.
As alterações climáticas globais têm desempenhado um papel importante nesse cenário. A temperatura média aumentou precocemente em muitas regiões do Brasil, facilitando a eclosão dos ovos do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Além disso, a alta pluviosidade aumentou a quantidade de criadouros do mosquito, contribuindo para a propagação da doença.
Outro fator preocupante é a predominância de novos sorotipos do vírus, como o DENV-2, que substituiu o DENV-1 como o sorotipo predominante no Brasil. Isso aumenta o risco de infecção em pessoas que já foram infectadas por outros sorotipos.
A falta de conscientização da população sobre os riscos da dengue também é um problema. Muitas pessoas não percebem que a doença pode ser grave e até fatal, especialmente para idosos, crianças e adolescentes. Apesar da disponibilidade de vacinas, os efeitos são a longo prazo, e a cobertura vacinal ainda é baixa em muitas regiões.
Embora os esforços de vacinação estejam em andamento, ainda há muito a ser feito para controlar a disseminação da dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos. É essencial que a população esteja ciente dos riscos e tome medidas preventivas, como eliminar criadouros do mosquito e manter o calendário vacinal atualizado.