Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a artrite não é uma doença que atinge apenas os idosos. Ela pode acometer pacientes muito mais jovens e causar grande impacto na qualidade de vida deles e da família.
A artrite idiopática Juvenil tem caráter autoimune, causa desconhecida (idiopática) e é caracterizada por inflamação que dura no mínimo 6 semanas em pelo menos uma articulação. Além da dor e do inchaço, pode ocorrer aumento de temperatura na região atingida e outros sintomas que vão variar conforme o tipo específico de artrite:
AIJ poliarticular: atinge 5 ou mais articulações;
AIJ oligoarticular: atinge 4 ou menos articulações;
AIJ sistêmica: atinge todo o organismo, não apenas as articulações;
Artrite psoriásica juvenil: artrite associada a psoríase;
Artrite relacionada com entesite: atinge a região em que tendões se unem aos ossos e pode comprometer a coluna.
Em todos os tipos, mas principalmente na AIJ oligoarticular, pode ocorrer também uma complicação chamada uveíte, inflamação do olho que pode levar à cegueira se não for tratada adequadamente. Os principais sintomas são vermelhidão no olho, dificuldade para enxergar e incômodo com a luz. Porém, em alguns casos a inflamação pode ser assintomática; ou seja, quando se sabe que a criança tem artrite, é importante levá-la ao oftalmologista regularmente mesmo que ela não apresente sintomas. Existem outras complicações relacionadas à artrite na infância, como problemas nos pulmões ou nódulos na pele, mas são mais raras.
No tipo sistêmico, além das dores articulares a criança tem febre alta, geralmente duas vezes ao dia, durante semanas ou meses, que pode vir acompanhada de erupção cutânea (pontinhos vermelhos que surgem no tronco, nos braços e nas coxas). Outros sinais são fadiga, mal-estar, gânglios aumentados (especialmente na região do pescoço) e aumento do fígado e do baço. Daí o nome “sistêmico”, que significa que o organismo é afetado de forma generalizada.
As dificuldades ao abordar a artrite idiopática juvenil começam no diagnóstico, por conta do “idiopática”. Antes de se diagnosticar uma condição que não tem causa definida, é preciso excluir outras enfermidades. Existem várias doenças que podem causar artrite. Doenças oncológicas, como a leucemia, por exemplo. Então, quando o médico atende uma criança com artrite, ele precisa descartar outras causas. Se não encontrar nada e a artrite persistir, ele vai chegar a esse diagnóstico.