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José Origines Penha deixou de morar na cidade de São Vicente de Minas para vir trabalhar em Cruzília, no Hospital Dr. Cândido Junqueira. Penha, juntamente com os médicos, José Maria Nunes Maciel e José Manoel Nunes Maciel contribuiu diretamente para o desenvolvimento da instituição de saúde da cidade oferecendo sempre, apoio e atenção aos pobres.

Penha, que era clínico geral e anestesista e que foi o primeiro Diretor Clínico do Hospital veio para a terra da Cruz por conta da política. Na época, Cruzília possuía dois partidos a UDN (União Democrática Nacional), de orientação conservadora e opositora as políticas e a figura de Getúlio Vargas e o PSD (Partido Social Democrático), que tinha como principais ideais preocupações mais ligadas ao desenvolvimento econômico, privilegiando mudanças sociais e culturais como meio determinante de promover e alargar a democracia.

A princípio, o médico veio a Cruzília para atender os pacientes que eram a favor dos ideais da UDN. Na cidade, tinha dois postos de saúde, um para atender os simpatizantes das propostas da UDN e outro para as pessoas que concordavam com a política pregada pelo PSD. Com o passar do tempo, o médico conseguiu quebrar essa rincha política entre os partidos.

Marco Antônio N. Penha, filho de Penha, relata que as pessoas que precisavam de atendimento médico passaram a procurar seu pai independente do partido que apoiavam. “Foi com o seu jeito tranqüilo de ser que ele conseguiu isso”, afirma.

Penha era muito popular em Cruzília, principalmente pela sua generosidade. Ele atendia as pessoas mesmo não tendo dinheiro para pagar pela consulta. “As pessoas diziam, doutor eu não tenho dinheiro e ele dizia não tem problema. Alguns pacientes pagavam o tratamento com verduras, legumes ou com animais”, conta Marco. Ainda de acordo com ele, o pai, assim que chegou a Cruzília abriu uma conta na farmácia de Juca Maciel. Caso os pacientes dele não tivessem como comprar os medicamentos que precisavam para tratar alguma enfermidade, o médico autorizava pegar na sua conta.

“Pai dos Pobres, ele nunca deixou de atender as pessoas, nunca deve ganância”, comenta o filho emocionado.
No Hospital, além de prestar consultas, ele auxiliava nas cirurgias. A princípio, a equipe médica era pequena, os profissionais trabalhavam bastante, eram desprovidos de aparelhos, trabalhavam com a experiência e conhecimento adquiridos na faculdade de medicina.

Certa vez, Penha estava realizando um procedimento cirúrgico no Hospital e a luz acabou. Para continuar a cirurgia, ele estacionou o jipe que tinha na porta do Centro Cirúrgico, que antigamente funcionava onde hoje é a cozinha. Ele finalizou a operação com a luz dos faróis do carro.

Dr. José Origines, como era conhecido, dedicou sua vida inteira ao hospital e a medicina. Ele trabalhou até o seu último dia de vida. “No dia que ele morreu, eu o encontrei subindo do hospital, de manhã ele foi visitar seus pacientes.”, afirma Marco, um de seus oito filhos com Terezinha Aline N. Penha, sua primeira esposa, que faleceu devido a um câncer de Mama.

Ele faleceu aos 64 anos, na fazenda Angaí, onde morava com a sua segunda esposa, Rita Edméa Andrade Meirelles vítima de um infarto fulminante. Ele deixou para os filhos um legado de caráter, honestidade e amor a profissão.