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A vacinação é uma ferramenta importante de proteção para as futuras mamães e seus bebês. Isso porque, durante a gravidez, a gestante fica mais sujeita à contaminação por agentes infecciosos, já que o seu sistema imunológico sofre diversas alterações.

Se a mãe for contaminada, a saúde do feto também pode ficar comprometida, levando, em alguns casos, a malformações, parto prematuro, aborto espontâneo e até morte fetal. Depois do nascimento, a imunidade do bebê ainda é bastante precoce; portanto, sua maior defesa vem da amamentação e das vacinas.

Caso pretenda engravidar, o ideal é que a gestante se antecipe e tome os imunizantes do Calendário de Vacinação do Adulto. Se isso não for possível, é preciso se atentar às vacinas que podem ou não ser aplicadas nessa fase.

Atualmente, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda três vacinas durante a gestação. São elas:

Influenza (gripe)

Pela baixa imunidade, as gestantes e puérperas são mais suscetíveis às formas graves da gripe, sendo, inclusive, consideradas grupo de risco para a doença. Por isso, é importante tomar a vacina contra a influenza a qualquer momento da gravidez.

Mesmo que a grávida já tenha tomado o imunizante em uma gestação anterior, ela deve ser aplicada novamente. Se não conseguir tomar a vacina durante os nove meses, pode ainda recebê-la em até 45 dias após o parto.

Hepatite B

Caso a mãe seja contaminada com a hepatite B em um período próximo ao parto, o bebê corre o risco de desenvolver infecção crônica do fígado. Portanto, essa é outra vacina que não pode ser deixada de lado pelas gestantes.

O imunizante deve ser aplicado a partir do segundo trimestre de gravidez, em regime de três doses. Entre a primeira e a segunda doses, há um intervalo de 1 mês (30 dias); e, entre a primeira e a terceira, 6 meses (180 dias). Caso a mulher já tenha sido imunizada antes, não é preciso uma nova dose de reforço.

Tríplice bacteriana (dTpa)

Essa vacina protege contra a difteria, o tétano e a coqueluche. A aplicação é indispensável para impedir a transmissão ao recém-nascido e protegê-lo nos primeiros meses de vida até que tenha idade suficiente para também ser imunizado.

A administração da dTpa depende de cada situação:

Para gestantes que já se vacinaram previamente com as três doses: uma dose da dTpa a partir da 20ª semana de gestação;

Para gestantes que já haviam recebido uma dose: uma dose da dTpa a partir da 20ª semana de gestação e uma dose da dupla adulto (dT), com intervalo mínimo de 1 mês entre elas; Para gestantes que já haviam recebido duas doses: uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação;

Para gestantes que não tinham se vacinado com nenhuma dose: uma dose da dTpa a partir da 20ª semana de gestação e duas doses da dT, com intervalo mínimo de 1 mês entre elas.

A dT também protege contra o tétano e a difteria. Se não for imunizada durante a gravidez, a mulher deve se vacinar o mais rápido possível após o parto.

Covid-19

Gestantes e puérperas estão mais suscetíveis a desenvolverem as formas graves da covid-19. Por isso, considerando a situação da pandemia no Brasil e a circulação do Sars-CoV-2, o Ministério da Saúde recomenda o esquema primário de vacinação para esse grupo: duas doses mais uma dose de reforço após um intervalo de 4 meses.

O ideal é que o imunizante não contenha o vetor viral, como é o caso da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, e da Pfizer. Para as gestantes que receberam a primeira dose da AstraZeneca, o Ministério da Saúde indica a continuação do esquema vacinal com a Pfizer.

Ainda que essas vacinas não tenham sido testadas em grávidas e puérperas durante a fase de ensaios clínicos, as evidências mostram que as gestantes já imunizadas não apresentaram complicações e tiveram uma evolução satisfatória da gravidez.

Há ainda imunizantes recomendados para as gestantes em ocasiões específicas:

Hepatite A e hepatite A e B

No Brasil, a circulação do agente transmissor da hepatite A é frequente. Por isso, a grávida que mora ou viajará para locais com alta incidência da doença deve considerar tomar a vacina. Não há riscos, já que o imunizante contém o vírus inativado.

No caso da vacina contra a hepatite A, são duas doses com 6 meses de intervalo. A vacinação combinada contra hepatite A e B é feita no mesmo regime para menores de 16 anos e em três doses a partir dessa idade, com intervalos de 1 mês entre a primeira e a segunda doses e 6 meses entre a primeira e a terceira.

Pneumocócicas

As doenças pneumocócicas são causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae. É o caso da pneumonia, da meningite e da otite. Quando a bactéria invade partes do corpo que são geralmente livres de microrganismos, como a corrente sanguínea ou os tecidos ao redor da medula espinhal, tem-se a doença pneumocócica invasiva (DPI).

Se a gestante for de risco para DPI, é recomendado que ela tome as vacinas pneumocócicas conjugadas: VPC13 ou VPP23. O médico define o regime de doses.

Meningocócica conjugada ACWY e meningocócica B

A meningite meningocócica, por sua vez, é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e provoca uma inflamação nas membranas que cobrem o cérebro. A indicação da vacina contra a doença depende da situação epidemiológica da região e da presença de comorbidades de risco.

A vacina meningocócica conjugada ACWY é aplicada em dose única, e a meningocócica B, em duas doses com intervalo de 1 a 2 meses. Ambas contêm o vírus inativado, portanto não há contraindicação.

Febre amarela

Normalmente, a vacina contra febre amarela é contraindicada para gestantes. Mas, quando os riscos de infecção são altos, ela pode ser aplicada a depender de avaliação médica.

A dose é única, mas uma segunda aplicação pode ser considerada dependendo da situação epidemiológica. Após o nascimento, ela é contraindicada para a mãe até que o bebê complete 6 meses. Se não for possível, ela deverá suspender a amamentação por dez dias.

Os imunizantes feitos com vírus ou bactérias enfraquecidos, porém ainda vivos, não devem ser tomados pelas gestantes. Se acontecer de a mulher se vacinar sem saber que está grávida, não é preciso tomar nenhuma medida especial, mas é recomendado acompanhamento médico.

Dengue

Uma delas é a vacina da dengue, contraindicada durante a gestação e eríodo de amamentação. Mulheres soronegativas (sem contato prévio com o vírus), imunodeprimidas ou alérgicas a algum dos componentes da vacina também não devem tomar.

Tríplice viral

A tríplice viral é a vacina que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. Ela não deve ser administrada durante a gestação, apenas durante o puerpério e a amamentação.

HPV

A vacina contra o HPV é responsável por prevenir contra o desenvolvimento de alguns cânceres, como de útero, de vulva e de vagina. Ela só pode ser tomada durante o puerpério e a amamentação, mas não durante a gravidez. Caso a mulher tenha começado o esquema vacinal antes da gestação, precisará suspendê-lo até o período pós-parto.

Varicela (catapora)

Esse é outro imunizante que só é permitido no puerpério e na amamentação, sendo contraindicado durante a gestação. Se a mulher não for imune à catapora, ela deve vacinar-se o quanto antes logo após o parto.

Fonte: Portal Drauzio Varela