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A tuberculose é uma doença grave, que no mundo está entre as 10 maiores causas de morte e a principal causa de morte em pacientes com HIV, infectando 10 milhões de pessoas por ano, com 4 mil mortes ao dia.

Doença de notificação compulsória do Ministério da Saúde, acomete mais pessoas do sexo masculino, adultos jovens e países de baixa renda. Em 2019, no Brasil, foram notificados mais de 70 mil casos e 4.500 mortes, ou seja, a cada 100 mil pessoas, 35 adoeceram com tuberculose.

Informações sobre a doença em Minas Gerais, vacina, tratamento e a relação entre tuberculose e a dificuldade no diagnóstico de covid-19 são alguns dos temas abordados.

Há vacina para tuberculose?

A vacina contra tuberculose chama-se BCG e é aplicada no recém-nascido. Sua função é evitar as formas graves da doença na infância. Não há indicação de dose de reforço nem o uso na população adulta.

Existe um público mais vulnerável?

Sim. A população mais vulnerável à infecção são aqueles em situação de rua com 56 vezes mais risco de adoecer, privados de liberdade com 35 vezes; HIV (25 vezes mais risco); indígenas (3 vezes mais risco); portadores de doença crônica, especialmente diabetes, etilistas e imunodeprimidos.

Quais os principais sintomas?

Os principais sintomas são febre, tosse, emagrecimento e sudorese noturna. A doença só é transmitida por tosse e espirro de pacientes com tuberculose pulmonar, não havendo necessidade de separação de objetos de uso pessoal, como talheres, copos, roupas de cama, entre outros objetos. A alimentação deve ser normal, não havendo restrição alimentar. É importante manter ambientes arejados e ventilados.

Como é feito o tratamento?

O tratamento é com comprimidos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as unidades assistenciais de saúde, com duração média de 6 meses, não disponibilizado em farmácias/drogarias ou outras unidades da rede privada. Após 15 dias de uso regular da medicação, não há mais risco de transmissão.

A medicação é fornecida pelo Ministério da Saúde para descentralizar aos municípios, pela Secretaria de Estado da Saúde. Deve-se procurar o tratamento em qualquer unidade de saúde pública, que oferecem o tratamento básico disponível.

Qual a efetividade do tratamento?

O tratamento é efetivo quando uso é regular, sem interrupção, e não apresenta resistência a nenhuma das 4 drogas utilizadas. Se apresentar resistência a qualquer uma delas, é prescrito um tratamento especial por médicas das unidades secundária e terciária. O tratamento não é esterilizante, ou seja, o indivíduo pode apresentar uma reinfecção, por depender de resposta imunológica, que é individual.

Quais os riscos de abandonar o tratamento?

As metas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são de identificação de 70% dos casos de tuberculose, 85% de cura e menos de 5% de abandono, sendo que pelo menos 70% dos contatos dos casos positivos sejam examinados. Por ser a principal causa de morte em HIV, é definido que se ofereça a testagem para HIV em 100% dos pacientes com tuberculose.Com o abandono do tratamento, esta transmissão se perpetua. Cada paciente com tuberculose pulmonar, infecta outras 10-15 pessoas de seu convívio, sendo que destas, em torno de 10% desenvolvem a doença.

A tuberculose dificulta o diagnóstico de covid-19

Sim. Os sintomas podem ser os mesmos (febre e tosse) com o período diferente. Para suspeita de tuberculose, os sintomas devem estar presentes há mais de 3 semanas, exceto para população privada de liberdade e população em situação de rua, que pelo risco maior de adoecimento, a presença destes sintomas independe do tempo. Para casos de covid-19, os sintomas estão presentes até 7 dias, em média. Os médicos devem sempre pensar nas duas doenças e fazer o diagnóstico diferencial para ambas.

Com a pandemia de covid-19, muitos pacientes estão abandonado o tratamento por receio de infectar-se com o vírus nas unidades e não buscam o medicamento para seguimento do tratamento.

A covid-19 é um dificultador para tratamento da tuberculose?

Não para o tratamento, a dificuldade está em sair para consultar e buscar medicamento em unidades assistenciais que atendem covid.