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A ostomia, ou estomia de eliminação, é um procedimento cirúrgico realizado quando é preciso construir um novo trajeto para eliminar a urina e as fezes. Normalmente, é realizado depois de condições traumáticas ou patológicas (como por exemplo: perfurações acidentais no abdômen, doenças no intestino, no reto e na bexiga), que podem gerar necessidade de uma ostomia para a manutenção da vida.

Após a cirurgia de ostomia, a pessoa precisa se adaptar às mudanças nos padrões de eliminação, bem como dos hábitos alimentares e de higiene. Além de se adaptar com o dispositivo e aceitar as mudanças no corpo. Selecionais 10 perguntas mais frequentes sobre o assunto. Veja:

Por que fazer a estomia?

A cirurgia é feita para auxiliar a pessoa que tem um câncer, ou sofreu acidente, ou nasceu com problema, ou tem alguma doença (doenças inflamatórias intestinais e doença de Chagas). O estoma resultante da cirurgia pode ser temporário ou permanente.

O que é a bolsa coletora?

A bolsa é um saco coletor que recebe as fezes ou a urina. Funciona como uma extensão do seu corpo, por isso, é importante realizar o autocuidado para manter sua qualidade de vida. A bolsa coletora é formada por um saco para coletar as fezes ou a urina, acoplado a uma placa adesiva para fixá-la ao abdome e proteger a pele do contato com o material eliminado pelo estoma.

Existem vários tipos de bolsas e sua indicação depende do tipo de estoma, tipo de material eliminado, idade, estilo de vida, presença de alterações no estoma ou pele ao redor e diversos outros fatores que serão avaliados pela equipe de saúde e pela pessoa estomizada.

Para receber as bolsas coletoras, que são disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a pessoa estomizada deve agendar consulta no serviço de referência na sua região e, neste dia, levar o relatório do médico que a operou ou sumário de alta.

Quando e como esvaziar?

O primeiro passo é sempre esvaziá-la quando as fezes ou a urina alcançar 1/3 da capacidade da bolsa, ou seja, menos da metade.

Quando e como trocar?

O equipamento deve sempre ser trocado quando a placa ficar na cor mais clara. Isso normalmente pode acontecer até o 3ºdia de uso. Não é recomendado ficar mais de 5 dias com o mesmo equipamento, pois há risco de provocar dermatite (lesão) na pele.

Para trocar o equipamento, deve-se retirá-lo delicadamente, e sempre pressionar a barriga com a mão enquanto usa-se a outra para descolá-la. Lembre-se de sempre jogar o equipamento no lixo. Depois de retirado, recomenda-se tomar banho para lavar a ostomia e retirar o resto de cola com água e sabonete. Caso não seja possível, é importante higienizar com água e sabão suave. Após o banho ou higienização, deve-se secar o abdome com leves toques antes de colocar um novo equipamento coletor. Para secar utilize de tecido macio.

Recorte o equipamento do tamanho exato da ostomia, não deixando sobrar nenhum espaço. Assim, as fezes ou a urina que saem da ostomia caem dentro do equipamento coletor sem entrar em contato com a pele, prevenindo dermatites.

Depois de recortado, retire o papel que cobre a placa do equipamento e cole de baixo para cima. Pressione com as pontas dos dedos o equipamento para ter certeza que colou bem na pele. Retire o ar da bolsa e feche com o prendedor (clamp ou velcro) ou feche a saída que parece uma torneirinha do equipamento de urostomia.

Nas primeiras trocas é comum utilizar o mensurador (régua circular), pois a ostomia pode estar inchada (edemaciada). Com o passar das semanas, a ostomia para de regredir, permanecendo o mesmo tamanho e com isso não há necessidade de medi-lo sempre.

Em caso de equipamento de duas peças, coloque a placa sobre a ostomia e encaixe a bolsa na placa. No caso de indicação de cinto, encaixe-o na bolsa ou na placa, a depender do modelo, depois de finalizar a troca.

Esportes e lazer

De modo geral, após a recuperação da cirurgia, o paciente pode voltar a praticar exercícios que praticava antes, como pedalar, caminhar, nadar ou qualquer outro que goste.

Caso sinta-se mais seguro, use o cinto especial para seu conforto. Você deverá evitar apenas alguns esportes de grupo em que possa ocorrer trauma corporal com outra pessoa (exemplo: futebol, basquete, entre outros).

Nada impede que você viaje de avião ou qualquer outro meio de transporte. Da mesma forma poderá frequentar teatros, cinemas e shows. Você pode dirigir normalmente sendo necessário o cuidado com o atrito entre o cinto de segurança e a bolsa coletora para não ferir o estoma.

Alimentação

A alimentação do estomizado deve ser normal e saudável, evitando alimentos que podem causar complicações, como diarreia, gases e constipação.

A dieta deve ser equilibrada e dividida em seis refeições ao dia, respeitando os horários para contribuir com a regularidade do funcionamento do intestino. É muito importante se alimentar de 3 em 3 horas, sempre mastigando bem os alimentos para facilitar a digestão e evitar a obstrução da estomia. Ao introduzir algum alimento diferente na dieta, experimente pequena quantidade e apenas um alimento novo de cada vez para ver a reação do organismo.

É essencial beber de 2,0 a 2,5 litros de água por dia e ingerir sempre uma quantidade adequada de fibras para o bom funcionamento do intestino.

Certos alimentos podem provocar alterações na função intestinal, por exemplo:

Diarreia: Mamão, laranja, ameixa seca, verduras, leite, cerveja ou bebidas alcoólicas.

Constipação: Batata, banana, amido de milho, mandioca, inhame e cará.

Cheiro intenso às fezes/gases: Peixes, ovos, cebola, couve, alho e batata doce.

Gases: Repolho, brócolis, batata-doce, feijão, refrigerantes, frituras e doces.

Gravidez

Algumas mulheres estomizadas podem engravidar normalmente, outras não. Isso depende da doença que provocou a cirurgia e quais órgãos foram afetados. Somente o médico poderá dizer quais são as chances e os riscos.

Mulheres estomizadas, como qualquer outra gestante, deverão ter um acompanhamento nutricional para suas particularidades, e comparecer regularmente às consultas de pré-natal. Devem ter em conta também que o crescimento do feto provoca distensão abdominal podendo afetar o estoma.

Estomia como deficiência física

Segundo o decreto presidencial nº 5.296/2004, as pessoas estomizadas estão reconhecidas como pessoas com deficiência. Dessa forma, possuem direito ao passe livre em transporte coletivo, atendimento prioritário, reserva de vagas em concursos públicos e empresas privadas. Usufrua seus direitos