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Na fase final da campanha contra o sarampo e a poliomielite, que se iniciou dia 6 de agosto, mais de 4 milhões de crianças de um a menores de cinco anos precisam ser vacinadas, em todo o Brasil. Até o final de agosto, o Ministério da Saúde espera vacinar 11 milhões de crianças contra as duas doenças.

Recentemente, a cobertura vacinal para poliomielite, na rotina do calendário de vacinação, fez o Ministério da Saúde emitir alerta para os municípios com menos de 50% das crianças vacinadas. O último caso de doença no Brasil foi registrado em 1989. Por isso, muita gente não sabe o que é essa doença, também conhecida como paralisia infantil. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos.

As sequelas da poliomielite estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus. Normalmente correspondem a sequelas motoras e não tem cura. Mas tem prevenção.

Vacinação contra poliomielite

O Brasil está há 29 anos sem casos de poliomielite, por causa do sucesso das campanhas nacionais de vacinação, que têm o famoso Zé Gotinha como mascote.

No Calendário Nacional de Vacinação, a proteção contra poliomielite começa com a vacina injetável, administrada aos dois, quatro e seis meses de vida. Depois, a criança receberá duas doses de reforço: aos 15 meses e aos 4 anos de vida.

Transmissão

A poliomielite pode ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra. A transmissão do vírus se dá através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas.

Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação da água e de alimentos por fezes.

A doença também pode ser transmitida pela forma oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O vírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde ele entra no organismo (boca, garganta e intestino). Em seguida, vai para a corrente sanguínea e pode chegar até o sistema nervoso, dependendo da pessoa infectada. Desenvolvendo ou não sintomas, o indivíduo infectado elimina o vírus nas fezes, que pode ser adquirido por outras pessoas por via oral. A transmissão ocorre com mais frequência a partir de indivíduos sem sintomas.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão). O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem.

Principais sequelas da poliomielite:

• Problemas e dores nas articulações;

• Pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão;

• Crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose;

• Osteoporose;

• Paralisia de uma das pernas;

• Paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta;

• Dificuldade de falar;

• Atrofia muscular;

• Hipersensibilidade ao toque.

As sequelas da poliomielite são tratadas com fisioterapia, por meio da realização de exercícios que ajudam a desenvolver a força dos músculos afetados, além de ajudar na postura, melhorando assim a qualidade de vida e diminuindo os efeitos das sequelas. Além disso, pode ser indicado o uso de medicamentos para aliviar as dores musculares e das articulações.